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10 Razões para Visitar a Nazaré

Descubra 10 razões para visitar a Nazaré, entre praias, ondas gigantes, tradições piscatórias, gastronomia, património histórico e vistas sobre o Atlântico.

Poucos lugares em Portugal conseguem reunir, num espaço tão pequeno, praia, património, tradições piscatórias, gastronomia, religião, paisagens atlânticas e algumas das maiores ondas surfadas no planeta.

A Nazaré é hoje conhecida internacionalmente pelas ondas gigantes da Praia do Norte, mas reduzir a localidade ao surf seria ignorar grande parte da sua identidade. Muito antes da chegada dos surfistas, já existiam o Sítio, as peregrinações a Nossa Senhora da Nazaré, a pesca, o peixe seco, o Ascensor e a antiga Pederneira.

Estas são 10 razões, baseadas em informação histórica e institucional verificável, para visitar a Nazaré.

1. Passear pela Praia da Nazaré

A Praia da Nazaré é o centro natural da localidade.

O extenso areal acompanha praticamente toda a frente urbana e forma a conhecida baía em meia-lua, tendo de um lado o casario e, do outro, o Atlântico.

Ainda hoje é possível encontrar elementos profundamente associados à imagem tradicional da Nazaré, incluindo os toldos de lona às riscas e referências constantes à antiga atividade piscatória.

O Turismo de Portugal identifica a Nazaré como uma das localidades portuguesas onde as tradições relacionadas com a pesca continuam particularmente presentes.

Mas não é preciso fazer muito.

Caminhar pela marginal, sentar-se junto à praia e observar o Atlântico já constitui uma boa razão para passar algumas horas na Nazaré.

2. Subir ao Sítio e contemplar a Nazaré do Miradouro do Suberco

Se existe uma vista que ajuda a compreender a geografia da Nazaré, é a que se encontra no Sítio.

No topo do promontório, o Miradouro do Suberco permite observar a Praia da Nazaré, o casario e uma grande extensão da costa atlântica.

O próprio Município apresenta o Sítio como um dos principais pontos panorâmicos da Nazaré e situa o Miradouro do Suberco a cerca de 110 metros de altitude.

É também no Sítio que se concentra uma parte importante do património histórico e religioso da Nazaré.

Ou seja, subir até lá não serve apenas para tirar uma fotografia: ajuda a perceber como a Praia, o promontório e o mar condicionaram o desenvolvimento da localidade.

3. Viajar no Ascensor da Nazaré, inaugurado em 1889

A própria viagem até ao Sítio pode fazer parte da experiência.

O Ascensor da Nazaré foi inaugurado a 28 de julho de 1889 para facilitar a ligação entre a Praia e o Sítio, numa época em que o acesso ao topo do promontório era consideravelmente mais difícil.

O projeto foi realizado pelo engenheiro Raul Mesnier du Ponsard, também responsável por vários ascensores e elevadores portugueses.

A linha tem aproximadamente 318 metros de extensão e uma inclinação de cerca de 42%. Inicialmente, o sistema funcionava com recurso a vapor; posteriormente foi eletrificado e modernizado.

Mais de 130 anos depois da inauguração, continua a desempenhar a mesma função essencial: unir a zona da praia ao Sítio.

4. Ver de perto a Praia do Norte, onde nascem as ondas gigantes

Do outro lado do promontório encontra-se um cenário completamente diferente.

A Praia do Norte tornou a Nazaré mundialmente conhecida no universo do surf de ondas grandes.

Foi aqui que Garrett McNamara surfou, em 1 de novembro de 2011, uma onda posteriormente medida oficialmente em 23,77 metros, estabelecendo então um recorde mundial.

E a história não terminou aí.

Em 29 de outubro de 2020, o alemão Sebastian Steudtner surfou na Praia do Norte uma onda oficialmente medida em 26,21 metros, reconhecida pelo Guinness World Records como a maior onda surfada na categoria masculina “unlimited”.

Na categoria feminina, a brasileira Maya Gabeira surfou na Nazaré, em 11 de fevereiro de 2020, uma onda de 22,4 metros, igualmente reconhecida pelo Guinness.

Convém, no entanto, não confundir a Praia do Norte com uma praia tranquila para banhos. O Turismo de Portugal alerta para o mar bravo e para as condições potencialmente perigosas existentes neste local.

5. Descobrir o Canhão da Nazaré e perceber de onde vêm as grandes ondas

As ondas gigantes não aparecem na Nazaré por acaso.

Ao largo encontra-se o Canhão da Nazaré, uma gigantesca estrutura submarina estudada pelo Instituto Hidrográfico através do observatório MONICAN.

Segundo o Instituto Hidrográfico, o canhão é considerado o mais longo da Europa e estende-se desde a plataforma continental, a profundidades de cerca de 50 metros, até à planície abissal ibérica, onde chega a profundidades na ordem dos 5.000 metros.

A proximidade da cabeceira do canhão à costa influencia significativamente os processos hidrodinâmicos e contribui para as condições oceanográficas excecionais observadas nesta zona.

É esta geologia escondida debaixo do Atlântico que ajuda a explicar por que motivo a Nazaré se tornou um dos grandes palcos mundiais do surf de ondas gigantes.

6. Visitar o Forte de São Miguel Arcanjo

Mesmo quem não tem qualquer interesse por surf encontra razões para seguir até à ponta do promontório.

Ali encontra-se o Forte de São Miguel Arcanjo, implantado sobre as escarpas do Sítio.

A fortificação tem origens no final do século XVI e passou por importantes obras durante o século XVII. Sobre a entrada permanece uma inscrição associada a D. João IV e ao ano de 1644.

O forte está oficialmente classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1978.

Nas últimas décadas tornou-se também um dos locais mais associados às ondas gigantes e aos atletas que desafiam a Praia do Norte.

O Município anunciou recentemente que o forte já ultrapassou os três milhões de visitantes desde a sua abertura ao público em 2014.

Património militar, farol, oceano e ondas gigantes encontram-se assim no mesmo promontório.

7. Conhecer o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e a Ermida da Memória

A história da Nazaré não se compreende apenas olhando para o mar.

O Santuário de Nossa Senhora da Nazaré é um dos elementos centrais da identidade histórica e religiosa do Sítio.

A construção do templo remonta ao século XIV, estando relacionada com a decisão do rei D. Fernando de criar um espaço de culto com capacidade para receber o crescente número de peregrinos. Ao longo dos séculos seguintes, o edifício sofreu diversas ampliações e alterações.

No interior encontra-se um importante conjunto artístico, incluindo milhares de azulejos holandeses do início do século XVIII.

A poucos metros fica a Ermida da Memória.

É aqui que entra a famosa Lenda da Nazaré.

Segundo a tradição — e é importante salientar que estamos perante uma lenda religiosa, não um facto histórico comprovado — em 1182 D. Fuas Roupinho perseguia um veado numa manhã de nevoeiro quando esteve prestes a precipitar-se da arriba. Terá invocado Nossa Senhora, conseguindo parar o cavalo junto ao precipício. Em agradecimento, teria mandado construir a pequena ermida.

A lenda tornou-se parte fundamental da identidade cultural da Nazaré.

8. Conhecer uma tradição rara: o peixe a secar ao sol

Ao caminhar pela zona sul da Praia da Nazaré poderá encontrar uma imagem que dificilmente se confunde com outra localidade portuguesa: peixe colocado sobre estruturas de madeira a secar ao sol.

Não se trata de uma encenação turística.

É uma tradição antiga da comunidade piscatória.

Segundo o Município da Nazaré, a secagem permitia conservar o pescado durante os períodos de escassez e possibilitava às peixeiras vender o produto nos mercados da região.

Entre as espécies tradicionalmente utilizadas encontram-se carapau, sardinha, petinga, cação e polvo. O peixe é preparado, passado por salmoura e colocado nos chamados paneiros para secar.

O local onde esta atividade ainda é realizada, a sul da praia, é conhecido como Estindarte.

Existe inclusivamente um projeto municipal denominado Museu Vivo do Peixe Seco, criado para preservar e interpretar esta tradição.

É provavelmente uma das formas mais diretas de observar a relação histórica entre a Nazaré e o mar.

9. Comer peixe e conhecer a gastronomia ligada ao Atlântico

Naturalmente, uma comunidade historicamente ligada à pesca desenvolveu também uma gastronomia onde o peixe ocupa um lugar central.

O Turismo de Portugal destaca entre os pratos e produtos associados à Nazaré as caldeiradas, sopas de peixe, açorda, arroz de marisco e carapaus secos.

A caldeirada representa especialmente bem esta ligação ao mar: um prato tradicionalmente preparado com diferentes peixes e outros ingredientes simples.

Mas a experiência gastronómica da Nazaré não precisa de ser complicada.

Um peixe grelhado, uma caldeirada ou marisco acompanhado pela vista sobre o Atlântico encaixam naturalmente numa visita à localidade.

Aqui, gastronomia e história não são dois assuntos separados — ambas nasceram da mesma ligação ao mar.

10. Descobrir a Pederneira, a Nazaré antes da praia

A última razão obriga a afastarmo-nos um pouco do areal.

Antes de a população se fixar de forma significativa na atual zona da Praia da Nazaré, a Pederneira já desempenhava um papel importante na região.

O património cultural português identifica a Pederneira como um núcleo habitado desde a Idade Média e refere que se tornou um importante porto dos Coutos de Alcobaça.

Nos séculos XV e XVI, o porto teve também importância na construção naval, funcionando ali um importante estaleiro.

Ainda hoje permanecem elementos dessa história, incluindo antigos Paços do Concelho, património religioso e o núcleo urbano histórico.

A Pederneira funciona igualmente como um ponto elevado sobre a Nazaré, oferecendo outra perspetiva sobre a praia e o promontório do Sítio.

É uma boa forma de terminar a visita percebendo que a história da Nazaré não começou nas atuais ruas junto ao mar.

Nazaré é muito mais do que ondas gigantes

As ondas gigantes deram à Nazaré uma projeção internacional que poucas localidades portuguesas possuem.

Mas a Nazaré já tinha uma identidade extraordinariamente forte muito antes de Garrett McNamara chegar à Praia do Norte.

O Sítio, o Ascensor de 1889, o Santuário, a Ermida da Memória, o Forte de São Miguel Arcanjo, a antiga Pederneira, as tradições piscatórias e a secagem do peixe contam uma história construída ao longo de séculos.

Depois existe o Atlântico.

De um lado, a extensa Praia da Nazaré. Do outro, a Praia do Norte e as ondas gigantes amplificadas pelas condições criadas pelo Canhão da Nazaré.

É precisamente essa combinação que torna a Nazaré especial: numa única visita podemos encontrar natureza, história, cultura marítima, gastronomia, património religioso e um dos fenómenos de surf mais extraordinários do mundo.

Última atualização em 13 de setembro de 2026